Bem-vindos!!!!

Este blog foi criado para professores de 4º e 5º ano que encontram dificuldades para achar atividades. Algumas são criadas por mim e outras selecionadas dos grupos que participo. Se alguma atividade é de sua autoria me escreva para que dê os devidos créditos. Revise o conteúdo antes de utilizar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De Sol a Sol


            Quando fiz sete anos, minha vó Luzia me apontou e disse:
            _ Tá na hora dele entrá pra escola.
            Minha vendeu a marmita, me comprou cartilha, caderno, lápis e tudo mais, pano para duas camisas brancas, para a calça azul; só faltou o calçado. Não fez diferença, quase todos os meninos iam de pé no chão.
            A escola era uma sala do celeiro, trinta carteiras, a escrivaninha da professora e um quadro negro que tomava a parede inteira. Dona Carolina vinha da cidade para dar aulas na charrete da fazenda, trazia jornais e a correspondência do patrão.
            O filho do campeiro, moleque levado, logo inventou de chamar dona Carolina de “dona Creolina”. Como o nome dele era Raimundo, ela botou nele o apelido de Viramundo, daí ele parou com aquela besteira.
            Para mim a escola foi um tempo bom, eu apreciava ver as letras saírem redondinhas de meu lápis:
            _ Fessora, e quando acabar a cartilha?
            _ Quando acabar a cartilha você já saberá ler.
            _ Vou poder ler Gibi? Histórias em quadrinhos?
            _ Vai.
            _ O caso é que não tenho dinheiro para comprar.
            Toda classe riu, a professora também:
            _ Então, no dia em que ler corretamente, trago uma dessas revistinhas para você.
            _ Verdade? Promete mesmo?
            _ Prometo.
            _ Dona Carolina é pra frente!
            Foi um tempo bom o da escola, apesar da palavra “carestia” sempre presente nas prosas dos mais velhos, fosse na casa do vizinho, fosse na nossa.
            Acabei o primeiro ano, fiz o segundo e quando estava para lá do meio do terceiro, setembro, com as chuvas e começo das plantações, uma noite, depois de muito cochichar com Luzia e a mãe triste, vô Juvenal tocou no meu braço e disse:
            _ Neguito, amanhã cedo cê vai com nóis pra roça. A carestia... a carestia vai obrigar ocê a trabalhar com a gente. Tenho muita pena meu filho, mas acabou a folga da escola.
            Sentado no degrau da cozinha, o prato de arroz com feijão sobre os joelhos, senti um nó na garganta, uma revolta me brotar no coração, queria arrebentar em soluços. Na casa do lado, seu Venerando criou coragem, disse para o filho menor, meu colega de escola:
            _ Ocê também Zezinho, amanhã começa a gemer na enxada.
            Do lado de cá até me senti melhor: “eu não estou sozinho na minha desgraça”. Olhei para minha vó, na beira do fogão – coava um café ralo – a mãe a chorar na porta da sala e o avô ali em pé, como a espera de uma palavra amiga.
            _ Não tem problema, vô. Não tem problema... respondi, enquanto que o meu peito parecia crescer, cheio de responsabilidades.
            No dia seguinte, o sol nem tinha aparecido e já estávamos a caminho da roça. Manhã orvalhada, dessas que a gente pisa no capim e sai com a barra da calça molhada. De sol a sol. Desde que o sol nascia até quando ele desaparecia atrás do horizonte, a gente trabalhava de sol a sol.             
                                                                      Lucília de Almeida Prado


1 – Com a ajuda do dicionário e escreva o melhor significado para as palavras de acordo com o texto:
Cartilha – ___________________________________________
Colono –  ___________________________________________
Celeiro –  ____________________________________________
Escrivaninha –  _______________________________________
Campeiro –  _________________________________________
Creolina –  _____________________________________

2 – A história é contada por uma pessoa que participa dos acontecimentos narrados. Quem é o narrador do texto?
3 – Numere a 2ª coluna fazendo a correspondência com a 1ª coluna da esquerda, de acordo com as ações realizadas:

1 – Vó Luzia
2 – Mãe
3 – Dona Carolina
4 – Filho do campeiro
5 – Vô Juvenal
6 – Seu Venerando
7 – Os colonos
8 – Neguito
(    ) Tirou o filho da escola.
(    ) Foi para a escola aos 7 anos.
(    ) Tocou no braço de Neguito, dizendo-lhe que iria     
para roça.
(    ) Na beira do fogão, coava um café ralo.
(    ) Comprou cartilha, caderno, lápis e tudo mais
(    ) Vinha da cidade para dar aulas.
(    ) Chamava dona Carolina de dona “creolina”.
(    ) Iam para a roça bem cedinho.


4 – Quanto ao personagem principal podemos afirmar que:
           (     ) Era muito levado.
           (     ) Morava na cidade.
           (     ) Gostava de trabalhar.
           (     ) Queria ler revista em quadrinhos.

5 – Leia a passagem do texto:

“Neguito, amanhã cedo cê vai com nóis pra roça. A carestia... a carestia vai obrigar ocê a trabalhar com a gente. Tenho muita pena meu filho, mas acabou a folga da escola.”

Por que Neguito teve que abandonar a escola?

6 – Segundo o texto:
(     ) A escola é importante só para aprender a ler e escrever.
(     ) A escola não tem importância alguma.
(     ) A escola é importante, mas a necessidade de trabalhar é mais forte.
(     ) A escola ensina o trabalho da roça.

Atividade enviada por Valéria Morgana para Professores Solidários.

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